Do que Journal with Witch realmente trata
Journal with Witch adapta Ikoku Nikki, mangá em 11 volumes de Tomoko Yamashita publicado de 2017 a 2023 na Feel Young, revista josei (voltada ao público feminino) da Shodensha. A história começa com uma morte. Asa Takumi, de 15 anos, perde os pais em um acidente, e sua tia Makio Kōdai, uma romancista de 35 anos que tem dificuldade de lidar com as pessoas, a acolhe quase por impulso. O que se segue é um drama doméstico a dois sobre luto, identidade e duas pessoas muito diferentes aprendendo a dividir uma vida.
A série de 13 episódios foi produzida no estúdio Shuka, com direção de Miyuki Oshiro, e foi exibida no Japão de 4 de janeiro a 29 de março de 2026. Miyuki Sawashiro dá voz a Makio, e Fuko Mori interpreta Asa. A Crunchyroll transmitiu o anime internacionalmente sob o título Journal with Witch.
Os números por trás da manchete
A comparação com Jujutsu Kaisen vem do sociólogo do entretenimento Atsuo Nakayama, cuja análise de abril, baseada em dados do site de avaliações de anime MyAnimeList, foi redestacada nesta semana em uma retrospectiva do PRESIDENT Online sobre por que o anime japonês ressoa no mundo inteiro. O PRESIDENT Online é o site da revista de negócios japonesa PRESIDENT, e sua cobertura de anime soa mais como análise de mercado do que como divulgação.
Segundo os números citados no artigo original de Nakayama, a 2ª temporada de Frieren e a Jornada para o Além liderou a temporada de inverno de 2026 no MyAnimeList com 9,0, com Journal with Witch logo atrás, com 8,8. A 3ª temporada de Jujutsu Kaisen ficou com 8,7; a 3ª temporada de Oshi no Ko, com 8,4; e a 2ª temporada de Hell's Paradise, com 8,3. Nakayama também observa que o número de membros de Journal with Witch no MyAnimeList cresceu de cerca de 20 mil para 90 mil ao longo da temporada, e que as avaliações foram quase unanimemente positivas.
As resenhas que ele cita destacam a delicadeza da obra ao tratar de identidade, família e cura. Um avaliador a descreveu como um drama humano pé no chão, mais do que um anime típico, e a comparou a Welcome to the N.H.K. O argumento mais amplo de Nakayama é que os fãs internacionais prestam muita atenção ao que os criadores estão realmente tentando fazer, de modo que uma obra sem batalhas chamativas ainda pode conquistar uma nota de ponta. Ele lê a segunda temporada de Frieren da mesma maneira, descrevendo-a como uma série mais interessada no tempo, na perda e na vida relembrada do que em suas lutas.
Os outros dois textos: Sawano e Demon Slayer
A retrospectiva combina essa análise com outros dois ensaios republicados. O compositor Hiroyuki Sawano, responsável pela trilha sonora de Attack on Titan, lembra que, mesmo quando a trilha da série vendeu quase 100 mil cópias, ele não conseguia simplesmente comemorar, e diz que é justamente essa insatisfação persistente que o mantém motivado para o projeto seguinte.
O terceiro texto é de Mayumi Tanimoto, escritora japonesa radicada no Reino Unido, que argumenta que a bilheteria recorde de Demon Slayer nos cinemas reflete algo que ela sente falta nos filmes recentes de Hollywood: personagens como Tanjiro, que espelham as circunstâncias difíceis vividas pelos jovens espectadores e lhes dão alguém com quem se conectar. A manchete do artigo dela vai além, sugerindo que o rosto da animação japonesa passou do Ghibli para Demon Slayer.
O que vem por aí
Todos os 13 episódios de Journal with Witch estão disponíveis na Crunchyroll nas regiões atendidas. Quem quiser conhecer o material original terá de esperar: a Inklore, selo de mangás da Penguin Random House, licenciou Ikoku Nikki na Anime Expo 2026, com a edição impressa em inglês chegando a partir do verão de 2027 no hemisfério norte. Todos os 11 volumes já estão publicados no Japão, onde a série foi concluída em 2023.

